Quando
perguntaram para a pequena loirinha o que ela queria de Natal, ela deu de
ombros. “Nada”. Ela se contentava com o nada. Não é dessas crianças que exige a
boneca que viu na TV de presente. Para ela o nada era o bastante, era
suficiente, estava perfeito. As
vezes a mãe insistia: ‘Diga o que você quer! Nós podemos comprar!’. Os pais
dela eram bons de dinheiro. Mais uma vez ela dava de ombros. Não que ela não
ganhasse presentes, ganhava. Mas nunca pedia nada e nunca usava o que ganhava.
Ganhou uma boneca muito bonita no aniversario, guardou numa caixa e acabou
embolorando no guarda-roupas. Ela não gostava de brincar, mas era feliz com o
nada que ela tinha, ou que preferia ter.
Era
uma menina quieta. Menina que não tinha sonhos, não tinha desejos bobos de
criança.Ela cresceu, se tornou mulher. Tinha o que tinha mas não tinha nada. Ainda não sonhava. Deixava que o vento a levasse, deixava que o destino a guiasse.
Depois ficou velha. Velha e sozinha. Continuava sendo uma menina que não sonhava. Que nada tinha e tinha tudo. E que era feliz sem querer mais. Apenas se sentia sozinha. Daí começou a sonhar em não estar mais sozinha. Comprou um cachorro.
__Cachorros não esperam nada de ninguém. Voce escolhe ama-los e talvez eles retribuam você . Já as pessoas querem demais, elas querem tudo.
Foi
o que disse pra vendedora.
Ela
morreu antes do cachorro. O cachorro foi morar na rua. Não queria nada.

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