sexta-feira, 28 de março de 2014

Cristina


      
   Cristina não era mexicana. Colombiana talvez? Não. Eu diria que Cristina era uma sonhadora sem rédeas. Daquelas que tem um monte de sonhos e vontades e que atravessa uma coisa na frente da outra e acaba se esquecendo que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. (Perdoem a minha linguagem. Os meus leitores mais dedicados entenderam!)
        Mais do que sonhadora ela era uma risonha! Daquelas pessoas que riem de tão acostumadas quer estão de rir. E sonhadora... Que sonhava sem perceber que estava sonhando. Cristina sim era um pássaro! Desses que voam e você tem que puxar pelas asas para não se afastar muito do chão. Quando ela estava rindo já se sabia que estava voando... Quando estava voando, lá estava Cristina a sonhar...
        Mas ninguém fazia questão de descê-la ao chão novamente. Era bonito vê-la tentar alçar seus vôos. O problema é que as asas ainda estavam muito indecisas, não sabiam para que lado ir. Pássaro sem destino se torna triste. Não Cristina. Para ela pássaro sem destino era motivo de riso também. Quem sabe rir não era um bom caminho para as descobertas?
          Nunca soube direito se ela buscava liberdade ou apenas sonho. E nunca soube se era sonho aquilo que ela achava que buscava. Só sabia que ela tentava voar, da melhor maneira que podia, para onde quer que fosse que lhe oferecesse algum conforto. Voar para onde se sentisse segura, acolhida, onde percebesse que estava no lugar certo, exatamente onde deveria estar.
         Acho que ela sabia onde devia estar... Só não estava lá ainda. Mas ela é um pássaro. E os pássaros têm a liberdade de chegar aonde querem chegar.

 

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